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A Linha dos Baianos na Umbanda


 
Quem são os Baianos?

A linha dos baianos é composta por espíritos alegres, brincalhões, descontraídos, movimentadores, em geral, composta por espíritos que, quando encarnados, cultivavam uma religiosidade muito intensa, muitos desses espíritos cultuavam os orixás quando de sua passagem por essa Terra. Todavia, a linha dos baianos também recebe inúmeros espíritos de outras culturas, tais como Hindus, Chineses, Japoneses, Persas, Marroquinos e até Maias, Astecas e outros.

O Surgimento da Linha dos Baianos

A linha dos baianos, de forma firme e consolidada, começa a surgir nos terreiros de Umbanda na década de 40, e na década seguinte, em 50, a linha dos baianos se firma definitivamente, com pujança e força, começando a tomar a frente de mediunidades nos terreiros de Umbanda e a demonstrar um sólido trabalho caritativo.

Devemos nos lembrar que, nessa época, o Brasil estava na Era Vargas, e em seu contexto, vivia o fim da Segunda Grande Guerra e uma Revolução Industrial importante, o que fez com que a vida urbana ganhasse outros contornos. Essa explosão industrial no país, passou a atrair o homem do campo, do interior, o homem simples, fazendo com que houvesse uma grande migração campo/cidade. É nesse contexto social que a linha dos baianos surge e se instala, o que deixa claro que a Umbanda enquanto religião acompanha as necessidades sociais do Brasil, ou seja, o Astral Superior da religião está em constante observação a realidade deste país, afinal essa religião, a nossa amada Umbanda, é brasileira; dependendo das necessidades da realidade material, o Astral adota providências a fim de que ninguém fique desassistido espiritualmente.

Por isso a linha dos baianos surge dentro da religião de Umbanda, para dar assistência aos simples camponeses, do interior, homens que viviam num contexto totalmente rural e sertanejo, em meio a simplicidade, e que, de repente, por necessidade, estavam migrando para a cidade, em busca de sobrevivência, de melhores condições de vida, e não poderiam ficar desassistidos espiritualmente; daí a importância dessa linha que veio sustentar estes simples camponeses e ajudar a manter essa religiosidade tão peculiar do homem do campo, fundada nas rezas populares, nos benzimentos, em uma mescla de culturas religiosas, um pouco de conhecimento dos negros, misturados com conhecimentos da cultura indígena, envolta a conhecimentos católicos, misturada a magia de ervas, de pedras e outros elementos da natureza.

Foi para manter essa cultura e cultivar essa religiosidade desses migrantes do campo para as grandes metrópoles, para as grandes cidades e centros urbanos que surgiu a linha dos baianos, formada por espíritos que trazem essa mesma cultura, por terem sido sacerdotes, rezadores, benzedores noutras encarnações e entenderem perfeitamente seus irmãos que, naquele contexto, necessitavam de amparo para não perder a sua fé em meio a selva de pedras das grandes cidades.

O Arquétipo da Linha dos Baianos

Essa linha, como já explanado acima, traz o arquétipo do homem simples, do campo, do interior, que possui uma religiosidade mesclada, com cultura indígena, negra e branca também; com magia, encantamentos e benzeduras; com um conhecimento popular de ritos religiosos que eram (e até hoje são) utilizados no interior deste imenso Brasil para acudir todos os que necessitavam e que não dispunham de médicos.

É preciso entender também que a linha dos baianos ganhou esse nome para homenagear a origem do Brasil que, como todos sabemos, se deu na Bahia. Logo, essa linha não tem o nome de linha dos baianos para homenagear o povo de um Estado da Federação, mas para homenagear a origem do Brasil, que ocorreu numa relação fortíssima com aquela localidade, com aquele litoral; fatos históricos que marcaram o início desse país, ocorreram na Bahia, e por isso essa homenagem, aos brasileiros, aqui, nessa linha representados pelos baianos, mas como uma homenagem a origem do Brasil e a todos os brasileiros.

Afinal, se admitirmos que a linha dos baianos homenageia apenas um Estado, eu perguntaria: e porquê não tem a linha dos pernambucanos, dos gaúchos, dos goianos, etc? Ora, não existem essas linhas devido ao fato de a linha dos Baianos serem uma homenagem a origem do Brasil e a todos os brasileiros, e não somente ao povo de um Estado, que isso fique bem claro. Podemos dizer que a linha dos baianos é, na verdade, a linha de todos os brasileiros, aquele que é simpático, alegre e acolhedor. O baiano simboliza muito essa característica do povo brasileiro, o acolhimento.

O Grau Evolutivo e o Orixá Sustentador da Linha dos Baianos

A linha dos baianos também é um grau espiritual (se não entender essa parte leia o texto “arquétipos de Umbanda”), que está entre o segundo ou terceiro nível de evolução, em geral, no segundo nível. Não são espíritos tão evoluídos quanto os pretos-velhos e os caboclos, em termos de grau evolutivo, mas que prestam trabalhos indispensáveis nos inúmeros terreiros de Umbanda dessa nação.

De modo geral, o grau dos baianos é sustentado pelos orixás Iansã e Oxalá, por serem espíritos altamente movimentadores (Iansã), que trazem uma religiosidade muito forte e mesclada (Oxalá). Todavia, há baianos que trabalham nas irradiações de todos os orixás. Há baianos de Oxóssi, de Xangô, de Omolu, Oxum, etc.

A Incorporação da Linha dos Baianos

Quando incorporados, a linha dos baianos usa muito o corpo como meio de magia: giram, dançam, falam muito, andam de um lado para o outro. Contam histórias, causos, sorriem, brincam, manifestam imensa alegria, mas sabem falar sério quando necessita. Os baianos usam instrumentos litúrgicos específicos: peixeira, fação, coco, terços, chapéu de couro, usam guia de coquinho ou olho de cabra, etc. Usam velas amarelas, chegam saudando a Bahia são muito devotos de Nosso Senhor do Bonfim, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora das Candeias e Padre Cícero.

Aceitam oferendas na natureza ao lado de um coqueiro ou outro local especificado, e também nos pontos de força dos orixás que lhes sustentam; bebem batida de côco, água de côco e adoram comidas típicas da Bahia.

As Falanges dos Baianos

Existem inúmeras falanges de baianos. A falange sete cocos, zé do côco, zé da peixeira, Manoel do Facão, Zé Baiano, Severino, João do Côco, Simão, Pedro da Bahia, Maria Quitéria, Maria do Rosário e outros. Independente da falange e do mistério da falange, do campo de atuação da falange, existe uma liberdade de os baianos manterem a sua própria individualidade, podendo resgatar aquilo que ele gostava de fazer e fazia quando encarnado.

Existem muitos baianos que são ex-médiuns, ex-sacerdotes, ex-babalaôs que compõe a linha dos Baianos, e eles podem usar esses seus conhecimentos em função dos seus trabalhos, dos seus atendimentos, na condução das pessoas, há liberdade para que isso ocorra.

Ligado à linha de Baianos, temos também um povo que é chamado de cangaceiro, chefiado por Lampião e por Maria Bonita. Os Cangaceiros, em alguns terreiros, fazem parte da linha dos baianos, em outros são chamados à parte. É como se fosse a esquerda da linha de baianos, ou seja, os baianos kimbandeiros, algo semelhante.

Existem terreiros em que os baianos e os cangaceiros vem junto, na mesma linha, daí vemos o Zé da Faca, o Zé Peixeira, o Zé Cinco Estrelas, o Corisco, o Severino, o Lampião, a Maria Bonita, trabalhando na linha de Baiano e há Terreiros que faz uma chamada separada.

Entretanto, a linha principal é a dos baianos, e para muitos, os cangaceiros são auxiliares dos baianos, para outros, os cangaceiros são uma esquerda da linha dos baianos, como já disse acima. De fato, existem espíritos dessa linha que são baianos e cangaceiros, e outros que são apenas cangaceiros.

O Trabalho da Linha dos Baianos

Para os baianos, não há trabalho que não possa ser realizado, todavia, essa linha tem profunda afinidade com quebra de demandas e magias negativas, sendo, inclusive, muito conhecida a chamada “virada de baiano”, quando os baianos “viram” para a esquerda, dando especial atenção a quebra de energias negativas. Os baianos também trabalham com curas, desobsessões, limpezas e descarregos, e outros trabalhos que necessitem ser realizados dentro da Umbanda.

Sr. Baiano Zé do Côco

Eu não poderia deixar aqui o meu agradecimento a falange do Sr. Zé do Côco, com a qual tenho a honra e o prazer de trabalhar. Sou muito grato pelo amparo e auxílio, e registro aqui o meu agradecimento a esse baiano trabalhador, que nos ampara em suas giras, trabalhando sempre com afinco e alegria para ajudar os necessitados.


Um Saravá Fraterno a Todos!

Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com






 
 
Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda
Enviado por Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda em 25/01/2016
Alterado em 22/05/2016

Música: baiano - se ele é baiano agora - Artista Desconhecido

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"Quem vive com Ogum, Ogum não abandona nem após morte". (Marinheiro Martim Pescador).






"Não são os encarnados, filhos de santo, falhos, pequenos, errantes por natureza que dirão se uma entidade é ou não de luz, mas a própria entidade com suas obras de caridade." (Baiano Zé do Coco)