Oca do Cacique Beira-Mar -Templo Escola de Umbanda
"A missão não envaidece, responsabiliza" (Cacique Beira-Mar)
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EXU MIRIM NA UMBANDA

 

O Orixá Exu Mirim

O tema Orixá Exu Mirim ainda causa estranheza em muitos umbandistas, pois o Orixá Exu Mirim foi revelado a pouco tempo pela psicografia do sacerdote Rubens Saraceni, ditada pelo Pai Benedito de Aruanda. Assim, tomamos conhecimento de que há um orixá que sustenta o mistério sobre o qual trabalham as entidades Exus-Mirins recentemente, e muitos ainda desconhecem esse grande Orixá. Quando o orixá Exu Mirim foi revelado não havia um nome em especifico para esta divindade e o mesmo, por corolário lógico, passou a ser denominado com o mesmo nome da entidade, passando a ser identificado desta forma: Orixá Exu Mirim. Para compreender o Orixá Exu Mirim é necessário compreender, mesmo que minimamente, a gênese de Umbanda, a fim de entender com exatidão esta divindade. Então, vamos lá.

Houve um tempo em que nada existia: nem espaço, nem tempo, absolutamente nada, apenas Olorum existia, mas ainda não manifestado, ou seja: Olorum existia apenas no seu lado interno, pois, caso não saiba, o criador Olorum possui dois lados, o interno e o externo (estude Gênese Divina de Umbanda para compreender). Pois bem. No momento em que nada existia, apenas Olorum, nasceu a intenção de criar. E foi esse o momento na gênese divina de Umbanda em que se identifica o Orixá Exu Mirim, pois esta divindade atua no campo das intenções, e rege o Nada (perceba que o Nada não e o vazio. O Vazio já é em si mesmo algo, e, o vazio é mistério do Orixá Exu - veremos abaixo). Assim, o instante em que o criador Olorum tem a intenção de criar identifica a divindade Exu Mirim. Da mesma forma, quando algum de nós tem a intenção de fazer alguma coisa que ainda não existe, ou seja, que existe apenas o Nada, nos sintonizamos, ainda que não saibamos disso, com o Orixá Exu Mirim. Essa nossa parte, abordarei abaixo.

Continuando. Logo após o criador ter tido a intenção de criar – mistério da divindade Exu Mirim -, nasceu o Vazio, mistério regido pelo Orixá Exu, e no Vazio, o Criador criou o espaço, o infinito, a plenitude – mistério do orixá Oxalá. Desta forma, o Criador começou a se exteriorizar, pois até aquele momento o criador estava apenas no seu lado interno. Dizer que Olorum começou a se exteriorizar significa que o mesmo passou a manifestar, a partir de si, e por meio de seus vórtices, todas as divindades e os mundos, as realidades paralelas, os universos, as galáxias, os planetas, a vida, os seres, as criaturas: tudo foi criado por meio da intenção (mistério de Exu Mirim) do Criador, por meio da uma vontade de Deus. Percebe? Em primeiro lugar veio a intenção (mistério de Exu Mirim) e depois a concretização, a realização, a construção, a criação. Então, naquele primeiro momento da intenção surgiu Exu Mirim no lado interno da criação (lado interno de Deus), ele está em Deus. Exu Mirim não se exterioriza, por isso ele não é o primeiro Orixá a sair do lado interno para o lado externo da criação, assim como o orixá Exu e a Orixá Pomba Gira. O lado externo da criação é o mundo tal qual nós o conhecemos, tal qual como o enxergamos.

Para facilitar a compreensão, entenda: assim como Xangô é a Justiça, Oxum o Amor, Ogum a Lei e a Ordem, Oxóssi o Conhecimento, Oxalá a Fè, Iemanjá a Geração, Exu Mirim é a Intenção do criador em criar todas as coisas. Exu Mirim é anterior a criação,  anterior a coroa planetária, anterior as sete linhas de Umbanda, pois ele surge no lado interno da criação, e como disse acima, ele não se exterioriza. Tanto o Orixá Exu, quanto a Orixá Pomba Gira e o Orixá Exu-Mirim atuam nas sete linhas de Umbanda, em todos os sete sentidos da vida, que são (recapitulando): a fé, o amor, o conhecimento, a justiça, a lei, a evolução e a geração. Exu atua a partir do vazio, da vitalidade e do vigor. Pombagira atua a partir do estímulo e dos desejos. Exu Mirim atua a partir das intenções, compreende?
 
Enfatizando: Exu Mirim está associado às intenções, é a divindade das intenções, ou seja, trono das Intenções, e rege uma tela planetária vibratória relacionada às intenções (mas claro, impossível, não?). O que isso significa? significa que todas as intenções dos seres encarnados vibram na tela de Exu Mirim. Da mesma forma, que o sentido de justiça de todos os seres encarnados e as suas atitudes com relação à justiça refletem na tela de Xangô. Da mesma forma que todos os sentimentos, todas as palavras, tudo que é relativo a lei de todos os encanrandos refletem na tela de Ogum. Da mesma forma que todos os sentimentos, todas as vibrações, as intenções, todas as atitudes relacionadas à fé refletem na tela de Oxalá. Assim, todas as intenções, quer sejam boas ou más, em todos os sentidos da vida refletem na tela de Exu Mirim: a divindade e orixá Exu Mirim. 

Quando as intenções são positivas a divindade Exu Mirim as fortalece, as energiza, as incentiva, estimula – mesmo que o mistério estimulador seja de Pombagira; ao contrário, as intenções negativas e baixas são desestimuladas, desfortalecidas, desenergizadas. Todas as intenções são captadas pela tela vibratória planetária do Orixá Exu Mirim, e ninguém que tenha alguma intenção escapa disso. Ninguém esconde suas verdadeiras e reais intenções de Exu Mirim, ainda que seja um bom fingidor.

Alguns Fatores do Orixá Exu Mirim

Embora esteja enfatizando bastante o fato de o Orixá Exu Mirim atuar a partir do campo das intenções, há também outros atributos e fatores (não sabe o que são fatores e atributos? estude Gênese Divina de Umbanda) relacionados a esta divindade, como por exemplo o fator complicador, que traz complicação ao mal-intencionado e descomplicação ao bem-intencionado. Há também o fator regredidor, onde Exu Mirim faz regredir o mal-intencionado e impede de regredir o bem-intencionado. Outro fator é o atrasador, onde Exu Mirim faz atrasar o mal-intencionado e impede de atrasar o bem-intencionado. Há o fator atrasador, onde Exu Mirim faz atrasar o mau intencionado e impede de atrasar o bem intencionado. Enfim, há ainda vários outros fatores relacionados a Exu Mirim além dos já citados acima, todavia, apenas com os que estão citados acima, já podemos ter uma boa noção a respeito da atuação de Exu Mirim, a partir das intenções dos seres..

Exu Mirim: Orixá Dual e Tripolar. O Tridente de Exu Mirim.

Outra coisa que é preciso ser dita a respeito do orixá Exu Mirim é que o mesmo não é (assim como o orixá Exu e a orixá Pomba Gira) apenas um orixá universal ou apenas um orixá cósmico, como é típico dos orixás polarizados, como aqueles que formam as sete linhas de Umbanda (Oxalá-Logunan= Fé; Oxum-Oxumaré= Amor; Oxóssi-Obá= Conhecimento; Xangô-Egunitá= Justiça; Ogum-Iansã= Lei; Obaluaiê-Nanã= Evolução; Iemanjá-Omolu= Geração – Lembra das Sete Vibrações/Sete Linhas de Umbanda?), que são ou universais ou cósmicos (caso não entenda essas terminologias, leia o texto “As Sete Linhas de Umbanda”). O Orixá Exu Mirim é um orixá dual e tripolar. E o que isso significa? No aspecto dual, significa que Ele atua a partir dos sete sentidos da vida, tanto no sentido Universal, quanto no sentido Cósmico. Então, Exu Mirim capta as boas e as más intenções no campo da Fé, no campo do Amor, no campo do Conhecimento, do campo da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração, e as trabalha tanto pelo lado universal e irradiador, quanto no aspecto cósmico e absorvedor. Desta forma, as boas intenções nos sete sentidos da vida encontram em Exu Mirim força para que sejam concretizadas, e as más intenções, encontram justamente o contrário: complicação, retrocesso, paralisação, etc. afim de que não se implementem, compreende?

No aspecto tripolar, de onde vem o símbolo do tridente também relacionado a Exu Mirim, significa que o mesmo atua positivamente (descomplicando), negativamente (complicando) e de modo neutro (neutralizando). Isso quer dizer que o mesmo descomplica as boas intenções para que se concretizem, complica as más intenções para que não se materializem, e neutraliza as intenções negativas que possam estar vibrando contra os seres encarnados ou desencarnados. Essa atuação se dá nos sete campos, nos sete sentidos, nas sete vibrações, nas sete linhas de Umbanda, reiterando: a fé, o amor, o conhecimento, a justiça, a lei, a evolução e a geração. 

Encruzilhada Em "T" e a Encruzilhada em "X. Encruzilhada Macho e Femea

A encruzilhada em "X" é chamada de encruzilhada macho e a encruzilhada em "T' é chamada de encruzilhada fêmea. Assim, quando se quer oferendar Exu, utiliza-se a encruzilhada macho, e a Pomba Gira, utiliza-se a encruzilhada fêmea, em "T".

A Encruzilhada em "T" significa o acesso de Pomba Gira a todas as realidades, dimensões e planos, no sentido de que é um caminho que já está posto (uma estrada) encontrada por uma saída que leva a outros caminhos. Ou seja, a partir de uma realidade Pomba Gira tem acesso a todas as demais. A Encruzilhada em "X" traz o significado de que Exu cruza todos os caminhos, não tendo nada lugar aonde Exu não possa chegar, certo?

Exu Mirim, por ser de Natureza Masculina, utiliza a mesma encruziilhada que Exu, a encruzilhada em "X".

 
Exu Mirim é o Diabo? Quem é o Diabo nas Religiões?

O diabo é entendido por algumas teologias cristãs, e até mesmo pelo senso comum, como sendo o opositor de Deus. Seria um ser supremo da maldade e perversidade, que coordena um exercito de esiritos maus (os ditos demonios), que tem como unico intuito levar os seres humanos para um suposto lugar denominado inferno, através do incentivo a pratica do que é denominado como pecado por aquele ensinamento, que seria um ofensa a Deus (estranho, um Deus tão grande que se ofende com a fraqueza humana, não?). Enfim, em síntese, o Diabo seria isso. 

Pois bem. Exu Mirim não tem nada a ver com diabo, com demônio, com tinhoso, com belzebu, com o sete peles, ou seja lá qual nome se dê. Exu Mirim, na Umbanda, é tanto um Orixá, ou seja, uma divindade, quanto um ser encantado que trabalha ajudando os encarnados a lidarem com o seu negativismo nesta encarnação, respeitando a Lei e a Justiça Divina, dentro da nossa amada Umbanda.

Cabe dizer que a figura do Diabo não existe na Umbanda, logo não tem como haver um Diabo dentro desta religião. A figura do Diabo faz parte de outra cultura, a cultura judaico-cristã. Acontece que exportaram essa visão de Diabo de outra religião para dentro da nossa religião, associando o Diabo Judaico-Cristão com o Orixá Exu, e por extensão a Exu Mirim (por ter o nome Exu também). Exu é um Orixá africano que foi trazido para o Brasil por meio do tráfico negreiro, assim como os demais orixás. Exu não é o diabo, pois na cultura nagô-ioruba não existe um Diabo, isso é uma livre associação de cristãos-católicos e cristãos-protestantes desinformados que fundiram os conceitos de sua cultura religiosa com os conceitos de uma cultura africana onde não existe tal ser.  Ora, se Exu não é o diabo, tampouco cabe estender a interpretação de que Exu Mirim seria o diabo, embora haja quem o faça, por pura ignorância. 


Qual a Origem da Entidade Exu Mirim?

Inicialmente quero enfatizar: a entidade Exu Mirim não é filho de Exu e Pomba Gira, que se apaixonam no astral e geram Exu Mirim, nada disso. Mas há quem acredite nisso? Claro que há, e é mais comum do que se imagina ouvir aberrações explicativas sobre a origem de Exu Mirim tais como essa. Delete essa fantasia de sua cabeça, Exu Mirim não é  e nunca foi filho de Exu com Pomba Gira. Esqueça isso.

É preciso também esclarecer que a entidade Exu Mirim, que incorpora no médium no dia de gira, não são também espíritos humanos (eguns) que já encarnaram, antes, são seres encantados que vêm do quinto plano da criação, mesmo lugar de onde vem as crianças que denominamos como erês ou Ibejis. Para compreender esta parte, é preciso que se tenha o mínimo de entendimento a respeito da gênese de Umbanda (aliás, já fiz aqui duas recomendações para que se estude Gênese Divina de Umbanda), que estuda, dentre outras coisas, os sete planos da criação, e, a este respeito, esclarece que nós, seres humanos, estamos no sexto plano, denominado de plano natural, composto de 77 (setenta e sete) dimensões, e também esclarece que o plano anterior é chamado de plano encantado, que é um plano onde os espíritos são preparados para encarnar pela primeira vez, observando a ordem e o estágio evolutivo. 

Do plano encantado, como já disse acima, vêm os erês, Ibejis ou simplesmente crianças, e também os Exus-Mirins. Lógico, há uma grande diferença entre os Ibejis ou Erês e os Exus Mirins. Os Ibejis ou Erês atuam na direita, e estão, embora no mesmo plano dos Exus Mirins, noutra polaridade, lidam com outras energias, e se manifestam na direita da Umbanda (sabe o que  quer dizer direita e esquerda na Umbanda, certo? Caso não saiba, leia o texto "Arquetipos de Umbanda"). Os Ibejis ou Erês são seres espirituais que encarnarão neste plano onde estamos, o sexto plano da criação. Já os seres que incorporam como Exus Mirins lidam com energias densas e pesadas, numa polaridade do que chamamos de esqueda, e, ao contrario dos Ibejis ou Erês, jamais encarnarão. Isso mesmo, os seres encantados que trabalham como Exus Mirins na Umbanda nunca encarnarão.

Os Exus Mirins vivem em uma realidade extremamente negativa no quinto plano da criação, isso, se compararmos a nosssa realidade aqui no sexto plano. O que chamamos de energia negativa aqui, para os Exus Mirins não passam de meras energias positivas. Sim, determinadas energias negativas para nós ainda são positivas para os Exus Mirins. Não à toa eles lidam tão bem com descarrego, limpezas pesadas, quebras de feitiçoes e magias negativas, dentre outros. Muitos Exus-Mirins se “alimentam” da energia negativa que estão nos médiuns ou consulentes, porque, como já disse, embora seja negativa para nós, que estamos neste plano, para eles, que vem de uma realidade altamente negativa, de outro plano da criação, ainda é uma energia positiva e aceitável. Percebe o poder e a força de Exu-Mirim? Há um dito na Umbanda que afirma que "Sem Exu não se faz nada", e Exu Mirim afirma que "Sem Exu Mirim nem o nada se faz". Aliás, o Nada, como já esclarece, só existe por causa de Exu Mirim, é um mistério sob a sua atuação.

Continuando. Sei que afirmar que Exu-Mirim não é um espírito humano e tampouco é um ibeji ou erê ou criança da direita vai (mesmo hoje, com todo esclarecimento teologico sério que há) causar controvérsias e descrenças em muitos que hão de ler este texto. Até porque muitos médiuns ouviram de seus Exus-Mirins uma estória de que eles eram espíritos de trombadinha, meninos rebeldes, garotos viciados, que viviam nas ruas, nos faróis, cheirando cola, usando droga, furando pneu de carro, etc. Bem, se o seu Exu-Mirim disse isso, é preciso entender duas coisas.

Primeiro. Certamente ele o fez porque estava cansado de ouvir as mesmas e mesmas perguntas gira a pós gira: ‘quem é você?”, “de onde você vem?”, “quantos anos você tem?”, “onde você viveu?”, dentre outras. Nessas condições, diante de pessoas que estão mais preocupadas em servirem de pesquisadores espirituais do que em aprenderem o que a entidade tem a ensinar, provavelmente o seu Exu Mirim contou uma estorinha (sabe a diferença entre estória e história, certo?) para se ver livre da mesma “perturbação” de sempre. Talvez essa explicação seja a história de algum espirito que realmente tenha acompanhado e ajudado a cuidar, é muito provável, já que os Exus Mirins atuam também na regeneração de espíritos humanos que sim, viveram nessas condições.

A segunda coisa que é preciso entender é que Exu Mirim não tem nenhum problema em “mentir”, porque ele não tem esse pudor como nós temos. Para ele as coisas não são regidas por esses parâmetros humanos que nos dirigem de modo tão rígido aqui. Ele vem de outro plano e de outra realidade, lembra? Ora, para um Exu Mirim, se algo está lhe trazendo desconforto e incomodo, ele rapidamente tratará de se livrar disso. No caso, as repetidas perguntas que citei acima, de pessoas que até não tem o que fazer no terreiro, é um grande incomodo para quem está ali para trabalhar, e não satirfazer a curiosidade de quem não quer estudar para aprender, mas quer pertubar um Exu Mirim no dia de trabalho. Ora, uma maneira de se livrar  de incomodos assim é contar uma estória ou história de outro ser que acompanhou ou ajudou espiritualmente. Exu Mirim não tem nenhum problema com o que nós chamamos de mentira. Ele tem a sua própria maneira de ver as coisas.

Vale frisar que Exu Mirim é infantil, mas não é uma criança. Afinal, quem, em sã consciência daria pinga com mel numa mão e cigarrilha na outra para uma criança beber e fumar? A forma astral de um Exu Mirim pode ser comparada com a de um pigmeu. Em geral, são espíritos infantis, com uma estatura de 1,20m (um metro e 20 centímetros) e 1,30m (um metro e trinta centímetros), mas que não sao crianças, que isso fique bem claro.

Por Que Exu Mirim Vem para o Nosso Plano?

Os Exus Mirins que adentram ao nosso plano o fazem com permissão divina porque esse trabalho de acessar o nosso plano e ajudar outros seres, no caso na Umbanda, acelera a evolução deles. Todos os espíritos, estejam em qual plano estiverem, estão em processo de evolução e precisam evoluir, e isso não é diferente com os Exus Mirins. 

Esses seres encantados são preparados no Astral durante um longo tempo para adentrarem neste nosso plano, se comunicarem conosco e realizarem o trabalho religioso que realizam na Umbanda. Não basta um encantado querer vir para o nosso plano trabalhar na Umbanda e pronto, estará consumado. Nada disso. Existe uma preparação para que um encantado possa realizar esse trabalho. O Astral não faz nada sem preparação e planejamento, saiba disso. 

A Entidade Exu Mirim é Mau Comportada?

Há terreiros que proíbem o trabalho com os Exus Mirins em virtude de um suposto mau comportamento desta entidade. Alguns que proíbem essas manifestações afirmam que Exu-Mirim fala muitos palavrões, fala e faz atos obscenos, agride as pessoas, se comporta de modo indevido e indecoroso, etc. Bem, a este respeito é preciso que se diga duas coisas.

Primeiro, de fato os Exus Mirins são irrequietos, movimentadores, curiosos, e até um tanto terríveis, afinal, é típico da natureza de Exu Mirim isso, e por isso. Este primeiro ponto se soluciona de uma maneira simples: no dia de trabalho (em geral os Exus Mirins vem em giras de Exus e Pomba Gira), chama-se um Exu conversador, que fale bem, que saiba doutrinar (em geral todos sabem) e pede pra que ele ajude nestas questões com os Exus Mirins. Certamente os Exus, que são muito admirados pelos Exus Mirins, conduzirão bem e solucionarão esta questão que tem a ver com o trabalho pratico no atendimento religioso de Umbanda. A melhor maneira certamente é essa, até porque,  aviso: não adianta nenhum médium querer pressionar, intimidar ou forçar Exu Mirim quanto ao que ele deve ou não fazer, eu garanto que isso não vai funcionar com Exu Mirim, afinal, eu já disse ele não é uma criança. Respeite Exu Mirim e ele certamente irá respeitá-lo. 

Segundo. Quanto aos palavrões, xingamentos, ofensas, obscenidade, agressões, etc. garanto que provém de má formação mediúnica dos médiuns, ou de animismo (interferência de questões internas mau-resolvidas do médium com a pratica mediúnica), e quisá de mistificação (fingir que está incorporado, imitando os trejeitos de uma genuína entidade de Umbanda). De onde os Exus Mirins vêm não há nada disso, logo, a pratica de tais atos só pode vir do próprio médium, e não das entidades. Por isso que, antes de se autorizar um médium a ir para a corrente de atendimento, deve-se verificar se o mesmo foi bem desenvolvido, ao contrário, o lugar de tal médium é a consulência, para se tratar e se trabalhar. 


O Nome dos Exus Mirins

De modo geral, o nome dos Exus Mirins são os nomes dos Exus no diminutivo: Brasinha, Caveirinha, Pimentinha, Calunguinha, Quebra Ossinhos, Capinha Preta, Tranquinha, Veludinho, Sete Covinhas, etc, etc. 

A Entidade Exu Mirim Pratica o Mal na Umbanda?

A Umbanda é uma religião que tem por definição: "a manifestação do espirito para a prática da Caridade", logo, só pratica o bem, e nunca o mal. Afinal, que ressoancia haveria entre a pratica da caridade e a pratica do mal? certamente nenhuma. Exu Mirim, tal qual qualquer entidade de Umbanda, só pratica o bem, unicamente o bem.

Agora, se alguém já viu em algum "terreiro" supostamente de Umbanda um Exu Mirim, eu posso garantir: certamente não se trata genuinamente de um Exu Mirim, mas de qualquer outro ser, marginal do astral, se passando por Exu Mirim, ou até mesmo um "médium" mistificando, ou seja, fingindo, dolosamente, estar incorporado para praticar atos reprováveis como esse: se passar por uma entidade de luz a custa de qualquer razao doentia.

Quantos Exus Mirins Trabalham Com os Médiuns?

Ao contrário dos Exus e Pomba Giras, que em geral temos mais do que um, os médiuns têm apenas um Exu Mirim que atua ativamente, e, raramente, há outro (s) Exu (s) Mirim (ns) que atua (m) de modo auxiliar ao primeiro, muito raramente, mas pode acontecer.
 
Como e Quando Evocar/Invocar Exu Mirim? Uma Firmeza e Uma Singela Oferenda.
 
Podemos nos relacionar com Exu Mirim com o mínimo, que é uma vela, uma bebida e um fumo.

A vela de Exu Mirim é bicolor (preta-e-vermelha), a sua bebida deve conter álcool e algo doce, em geral, usa-se marafo com mel, mas também pode-se usar alguns licores ou variações, a depender da particularidade. O fumo de Exu Mirim é cigarrilha. Uma vela, uma cigarrilha e uma bebida já é uma firmeza para Exu Mirim, e uma maneira de se relacionar com a divindade/entidade. Esta firmeza pode ser feita no lado externo de sua casa ou na entrada dela, na porta, junto com a firmeza de esquerda, polaridade em que Exu Mirim atua na Umbanda.

Entretanto, se as coisas estiverem complicadas demais, pode-se fazer uma oferenda a Exu-mirim. Ele aceita farinha de mandioca com pinga e mel, farinha de mandioca com dendê, com bife de fígado cortado em cubinhos, misturado com azeite de dendê (coloque numa panela o fígado com o azeite, esquente-o até o mesmo absorver o dendê, depois coloque no alguidar, por cima do padê citado; acrescente rodelas de cebola do figado). Em volta, em forma de círculo, acenda sete velas bicolores, sete cigarrilhas ou sete charutinhos, e ainda (se quiser) pode-se oferecer sete moedas no sentido de estar pagando, assumindo um compromisso no que diz respeito ao seu pedido dentro da Lei e da Justiça Divina; acrescente a bebida de Exu Mirim. Esta Oferenda pode ser realizada em qualquer ponto de força da natureza, ou, se for ocaso, no ponto de força indicado pela entidade Exu-mirim. Embora creio que todos saibam, deixo bem claro: Exu Mirim não come, não bebe, não fuma, mas o mistério da divindade vai manipular esses elementos em favor de quem pede ajuda, de acordo com a Lei e a Justiça Divina, certo?

(Obs. é importante saber entrar e sair de um ponto de força, caso a oferenda seja em algum deles. Caso não saiba, consulte seu Exu Mirim, ele certamente lhe esclarecerá, já que o texto aqui não está focado nisso.Tudo tem fundamento na Umbanda, nada é feito de qualquer jeito ou de qualquer maneira, e não se meta a fazer o que não sabe fazer dentro dos santuários naturais dos sagrados orixás).
 
Entretanto, cabe perguntar: em que situação devo evocar/invocar Exu-Mirim? Antes de responder, esclareço a diferença entre evocar e invocar. Evocar é quando eu chamo algo de fora para dentro. Invocar é quando eu chamo algo de dentro para fora. Então, nós podemos invocar e evocar os Orixás, inclusive de Exu-Mirim. Em geral, se evoca a força de Exu-Mirim quando se deseja ajuda em problemas externos a quem evoca, e se invoca para alcançar ajuda em questões internas a quem invoca. Dito isto, por que, em nome da Lei e da Justiça Divina, evocar ou invocar Exu-Mirim?
 
De modo geral, se evoca ou invoca Exu-Mirim quando a vida está complicada, externa ou internamente. Costuma-se dizer: “se a vida está complicada, chama Exu-Mirim”. Como vimos, Exu-Mirim possui diversos fatores, mas um deles é o complicador, onde ele impede a complicação ou descomplica a vida do bem-intencionado. Assim, quando a vida está complicada costuma-se evocar ou invocar Exu Mirim. Também se evoca/invoca Exu Mirim quando as coisas não estão acontecendo, quando tudo está retrocedendo, quando sempre surge uma controvérsia, quando as coisas estão ocultas, escondidas, etc. Os fatores do Orixá determina o campo de atuação do mesmo e aquilo que podemos lhe rogar, guarde isso para sua relação com os demais orixás também. Pois Bem. Com sua firmeza ou oferenda pronta, eleve seu pensamento a Deus, a sua Lei Maior e Justiça Divina, e em nome de Deus clame pelo Orixá Exu Mirim e ofereça a vela, o fumo e a bebida como firmeza (e outros elementos relacionados com Exu Mirim - obedecendo os fundamentos da Umbanda e o bom senso, não se esqueça) ou a oferenda simples acima, ou mais complexa, caso tenha conhecimento sobre a magia e os saberes que cercam as Oferendas.

Exu Mirim não lhe deixará na mão, certamente. Claro, dependerá de sua intenção, lembra?

A Saudação e os Cumprimentos a Exu Mirim

Uma saudação básica a Exu Mirim (que é a mesma que se faz a Exu) é: “Laroyê Exu Mirim, Exu Mirim é Mojubá”. Entretanto, qual o significado desta saudação?

A palavra “laroyê” é uma palavra que vem de Ioruba e tem muitos significados, mas, em síntese, quer dizer “olha por mim”; “levante-se”, “vamos trabalhar”, “acorda”, dentre outros. Assim, quando se diz: “laroyê, Exu Mirim!”, está-se falando: acorde; levante; vamos trabalhar; olha por mim; me proteja; me guarde.

A palavra “Mojubá” é um cumprimento que  também se costuma fazer a Pomba Gira, que também se faz a Exu, a Exu Mirim, e que se pode fazer a qualquer pessoa. É um reconhecimento da grandeza do outro, da sua importância; é uma maneira de reverenciar aquele que está diante de nós. Portanto, ao dizer “Exu Mirim é Mojubá”, estamos reconhecendo sua grandeza, importância e a reverenciando.

E a saudação “Saravá, Exu Mirim!”, o que significa?

A palavra sarava não tem uma raiz etimológica, mas traz o significado de “salve”, ou seja, também é uma forma de cumprimentar, de saudar a entidade Exu Mirim.

E o Paó, o que é? A palavra Paó significa “encontro”, e é o ato de bater palmas. Logo, é um ato ritualístico gestual que  se utiliza quando saudamos Exu Mirim. Bate-se Paó e sauda-se: “Laroye Exu Mirim! Exu Mirim é Mojubá!” Na prática, o paó é uma sequência de três palmas vezes 3, ou seja, seriam nove palmas divididos em 3 sequências de três, certo? 

Também é comum se cruzar as mãos para baixo, em direção ao solo para pedir a Exu Mirim. Isso é frequente quando se está diante da esquerda, da tronqueira e do assentamento de esquerda. Quando se está diante do altar, as palmas de nossas mãos ficam para cima, e diante da tronqueira e do assentamento de esquerda, as nossas mãos são cruzadas/entrelaçadas para baixo.

Pode-se ainda fechar as mãos e bater uma na outra, como saudação a Exu Mirim. Tudo isso envolve a saudação a Exu Mirim, desde o “Laroye”, o “Mojubá, o “Sarava”, o “Paó”, as “Mãos Entrelaçadas para baixo” e o ato de “Bater as mãos fechadas uma na outra”, dentre outros possíveis cumprimentos e saudação.

Por fim, o fato de existir saudações a Exu Mirim significa que não basta que se coloque diante dele e o chame e lhe solicite o que bem entender, de qualquer maneira, de qualquer forma, não, as coisas não funcionam assim. As saudações deixam claro que deve haver um respeito da sua parte para com Exu Mirim. Peça-lhe ajuda, mas ofereça-lhe o seu respeito e a sua reverência. Perceba que há uma troca de energias aqui, e que não se pode fazer as coisas sem temor, respeito e reverência. Agora, se não tiver nada dentro de ti, amor, fé e devoção, provavelmente fará tudo de qualquer forma mesmo, e  isso é lamentável.

Respeite e reverencie o Exu Mirim que lhe acompanha, e trate-o com a mais profunda devoção, pois ele poderia estar trabalhando com qualquer outro, no entanto, decidiu trabalhar ao seu lado por alguma razão. Assim, retribua a companhia dele com respeito, temor, reverência e muita, muita devoção. 

No judaísmo, quando se quer chamar um anjo, como o Anjo Gabriel, por exemplo, se deve cantar o seu nome, em forma de mantra. No Catolicismo, com o mesmo objetivo, existem os cantos gregorianos. No hinduísmo, quando se quer chamar um Deus, se canta um mantra especifico, como quando se quer chamar Shiva, por exemplo. E porque, ao chamarmos nosso Exu Mirim, as coisas devem ser feita de qualquer forma? Não devem. Todo o ritual deve estar permeado de respeito, devoção e reverência, não se esqueça disso. Umbanda é uma religião de amor, ofereça o seu amor a Exu Mirim.
 
Exu Mirim Não Existe?

Há dirigentes de Umbanda que afirmam que Exu Mirim não existe, todavia, entendo que essa postura não é adequada, pois como se pode negar algo que se manifesta em nossos terreiros? Como se pode negar entidades que incorporam e prestam trabalhos caritativos, e diga-se, de enorme relevância dentro da religião? Descrer da existência de Exu Mirim só porque não se trabalha com tais entidades, ou porque não se é simpático a elas e ao trabalho que realizam, ou mesmo por qualquer outra absurda razão, não me parece nada razoável, e, até mesmo, típico de quem não se dignou a entender com o mínimo de profundidade, a teologia de Umbanda. Contra fatos não hé argumentos, já afirma até mesmo o senso comum. 
Como se pode negar um entidade que está manifestada? Existe uma diferença entre não se conhecer e não se trabalhar com elas, ou em reprová-las e elas nao existirem. Essa diferença eu chamo de ignorância.

O Espiritismo Explica Exu Mirim?

Devemos nos lembrar que quando foram escritas as obras espiritas por Allan Kardec, no Século XVIII, a Umbanda ainda não havia sido fundada – isso só aconteceu em 1908, no Rio de Janeiro, Por Zélio Fernandino de Moraes. Logo, o Espiritismo não serve de doutrina para a Umbanda, apesar de que não proibimos a leitura e estudo da obra espirita como fonte subsidiaria de conhecimentos. Até porque, até pouco tempo atrás, ainda não tínhamos uma obra sólida, uniforme e expressiva  na Umbanda, o que só ocorreu na década de 90 (noventa), quando o sacerdote Rubens Saraceni iniciou as publicações inspiradas pelos seus guias, em especial, o Pai Benedito de Aruanda. Assim, sem uma obra doutrunaria e teologica escrita, era comum (e ainda é) que muitos recorressem ao espiritismo para entender a Umbanda. Entretando, a Umbanda tem sua própria teologia e doutrina, e não precisa recorrer a embasamentos alheios para justificar suas práticas e rituais, não se esqueça disso.

O espiritismo não explica a Umbanda (são suas religiões diferentes - leia o texto "Umbanda e Espiritismo: Contrastes e Semelhanças) e suas práticas: o uso das velas, pontos riscados, orixás, etc, etc. e também não explica Exu-Mirim, que, como vimos, é um ser encantado, e não um espirito. O espiritismo explica espíritos, e não seres encantados de outro plano da criação.

Agradecimento ao Exu Mirim Tatá Caveirinha

Quero aqui agradecer ao Exu Mirim Tatá Caveirinha, que me acompanha e sustenta. Balaroyê, Exu Mirim! Exu Mirim, é Mojubá!
 
Um Sarava Fraterno a Todos!

Dúvidas e Perguntas: 
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com
 
 
 
 

 
 
Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda
Enviado por Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda em 20/05/2016
Alterado em 21/05/2016

Música: 08- Exu Mirim de pirim pim pim - Desconhecido

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"Deus não só faz  Justiça, Deus é a Própria Justiça". (Baiano Zé do Coco)





"A melhor firmeza é a do coração". (Caboclo Beira Mar)





"Quando a vida está ruim, o Rosário é um simbolo que nos indica como buscar ajuda" (Pai Antonio de Angola).





"Quem vive com Ogum, Ogum não abandona nem após morte". (Marinheiro Martim Pescador).






"Não são os encarnados, filhos de santo, falhos, pequenos, errantes por natureza que dirão se uma entidade é ou não de luz, mas a própria entidade com suas obras de caridade." (Baiano Zé do Coco)