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A LINHA CRISTALINA OU DA FÉ: LOGUNAN (OYÁ-TEMPO)



LOGUNAN NA UMBANDA SAGRADA: O TRONO FEMININO CRISTALINO OU DA FÉ

A orixá Logunan ou Oyá-Tempo existe a incontáveis eras, criada pelo senhor dos céus, nosso Deus Olorum. Entretanto, a revelação da divindade Logunan ocorreu recentemente, por meio da obra do Pai Rubens Saraceni, médium psicografo do Preto Velho Pai Benedito de Aruanda, e de outros guias. Como sabemos, existem centenas de orixás na Africa, e Logunan certamente já existia, mas assim como ocorreu com o culto a outros orixá africanos naquele continente, o culto a Logunan também se perdeu no tempo, voltando a ser resgatado neste Brasil, pelo meio acima.

Logunan é o trono feminino da fé, e faz par com o orixá Oxalá na Linha da Fé, tendo como função absorver, retificar e reparar a prática da fé (religiosidade) em desequilíbrio nos seres, fazendo a recondução destes negativados ao estado de perfeito equilíbrio. A orixá Logunan é cósmica, ativa e negativa. Cósmica porque ela é aquela que repara e retifica a vibração ou sentido da Linha da Fé. Negativa porque ela lida com o negativo do sentido/vibração da fé. Ativa porque ela atua a partir de sua ativação, ou seja, é necessário que haja um desequilíbrio religioso para que ela atue, para que seja ativada sua atuação, ao contrário de Oxalá, que, em sendo passivo, está todo o tempo sustentando a vibração da fé nos milhões de bilhões de seres que existem no universo.

Logunan traz o fator cristalizador, descristalizador e temporal, o que significa que através do tempo (seja passado, presente ou futuro) ela cristaliza aquilo que necessita cristalizado e descritaliza aquilo que necessita ser descristalizado, visando absorver os desequilíbrios da religiosidade, a fim de que tudo volte ao seu estado de harmonia. Apesar de Logunan ter como um dos seus fatores o fator temporal, ela, em si mesma, é atemporal, pois não está sujeita ao tempo, tendo em conta que ela é em si mesma o próprio tempo, logo não se sujeita ao tempo, antes controla-o.

O elemento de Logunan é o cristalino, assim como o orixá Oxalá (vai diferenciar apenas o tipo de cristal, óbvio), que como já dito acima, faz par com esta orixá. A este respeito, é preciso que se diga que, enquanto Oxalá rege a fé, Logunan rege a religiosidade dos seres, que é a prática religiosa propriamente dita.

O EQUILIBRIO ENTRE A FÉ E A RELIGIOSIDADE

Enquanto Oxalá lida com os aspectos da fé, Logunan lida com os aspectos da religiosidade. Mas o que significa religiosidade? A religiosidade é o exercício da fé, ou seja, impõe uma prática, uma frequência, uma constância em se realizar, seja separado ou em grupo, determinados rituais religiosos. A religiosidade é algo concreto, enquanto que a fé é algo abstrato. A religiosidade é algo restrito, enquanto que a fé é algo amplo. Oxalá lida com a fé e Logunan com a religiosidade.

A maneira correta de um ser religioso é, não apenas possuir fé, mas colocá-la em prática por meio de sua religiosidade. Entretanto, existem inúmeros religiosos que não tem fé, e inúmeras pessoas que tem fé mas que não tem nenhuma religiosidade (a bem da verdade, há pessoas que não possuem nem um nem outro). Logo, falta o equilíbrio entre as duas coisas. A fé pertence a pai Oxalá, e a religiosidade pertence a Logunan, e devemos buscar o devido equilíbrio entre as duas partes. Não adiante possuir fé e não ter religiosidade. Quem nos ajuda a ter uma religiosidade equilibrada é mãe Logunan, guarde isso. Se sua religiosidade está desequilibrada, então é a Logunan que irá recorrer.

O FANATISMO: O DESEQUILIBRIO DA RELIGIOSIDADE

O fanático é aquele que deixou de cultuar o mistério maior, ou seja, deixou de adorar a Deus para adorar o templo, aquilo que é físico, que é estrutural, que é concreto. O fanático adora a pratica, o ritual, os procedimentos religiosos, mas não adora mais a Deus. O fanático adora o que é da religiosidade, mas perdeu o contato com aquilo que transcende tudo isso, que é o mistério maior ao qual chamamos de Olorum, ou simplesmente Deus. Assim, quando alguém crê que o Deus que ele acredita não é maior que a sua religião, e sim que a sua religião é maior do que aquilo que ele crê, temos um fanático.

Não é difícil reconhecer um fanático. Se o fanático é alguém que perdeu a ligação com o divino e o sagrado, com aquilo que transcende, que é imaterial, então o fanático terá a tendência a acreditar que somente a vertente religiosa dele e aquela pratica (religiosidade) religiosa é a que é capaz de salvar os seres humanos. Assim, são muitos os fanáticos de diversas vertentes religiosas que, acreditando (mesmo sem perceber) que a sua religiosidade e a sua prática em determinado lugar é maior que Deus, (que só é acessível por meio da fé), vivem a tentar convencer outros de que somente por meio de sua prática fanática é possível uma suposta “salvação”.

A Umbanda nos ensina a respeitar o próximo, independentemente da escolha religiosa desse próximo, porque a fé é maior, pautada na busca a Deus, é maior que a religiosidade. A fé de Oxalá, ensinada por este grande orixá, nos faz entender que ninguém pode aprisionar em práticas religiosas o mistério maior do Universo, que é Deus. A pratica religiosa (campo de Logunan) é muito importante, mas não é maior do que a fé (campo de Oxalá), antes, como já explanado acima, deve haver uma harmonia entre estes dois mistérios divinos, afinal, Oxalá e Logunan regem esta importante linha da fé (talvez a mais importante das sete linhas de Umbanda, se houver uma ordem).

LOGUNAN: SENHORA DA RELIGIOSIDADE

Logunan é a senhora da religiosidade, e atua nos protegendo contra aqueles que usam a fé e a religiosidade para a prática do mal, como, por exemplo, realizando magias negativas para prejudicar o próximo. Infelizmente são muitos os supostos terreiros de Umbanda e supostos sacerdotes de Umbanda que usam a religiosidade para fins que egoísticos, mesquinhos, escusos e reprováveis. Talvez não saibam estes que assim procedem que contra os mesmos pesa a atuação da senhora da religiosidade, mãe Logunan.

Podemos realizar procedimentos espirituais para, na força de Logunan, sermos protegidos contra aqueles que usam a religiosidade de modo negativo e desequilibrado. Uma simples firmeza, com uma vela branca do lado esquerdo, uma vela preta do lado direito e um copo de água no meio das duas velas pode ser usada para evocar a ação de mão Logunan em nosso favor, para nos proteger. Há muitas coisas que podemos fazer, e essa firmeza é um pequeno exemplo.

AS ONDAS ESPIRAIS DE LOGUNAN

As ondas fatorais de Logunan são espiraladas, e se projetam no sentido vertical e horizontal. No sentido vertical irradiam e inspiram religiosidade, e no sentido horizontal absorvem e retificam desequilíbrios dentro desse mesmo campo de atuação. Toda a escrita mágica e religiosa de Logunan se pautam nestas ondas espiraladas, e é comum que se risque uma espiral e se firme a vela de Logunan (azul-petróleo/azul escuro) no centro, evocando a sua presença.

O TEMPO DIVINO DE LOGUNAN E O NOSSO TEMPO HUMANO

Mãe Logunan também é conhecida como mãe Oyá-Tempo (não confundir com Oyá, como é chamado Iansã também e nem com o orixá Tempo do Candomblé). Logunan é o próprio tempo, como já explanei acima, e nos indaga, só por isso, como lidamos com o tempo, especialmente com o tempo da religiosidade. Nos dias atuais, onde tudo vivemos correndo de um lado pro outro, com tantos afazeres cotidianos (trabalho, estudo, família, etc.) acabamos não tendo tempo para nos permitir ter tempo de termos nossa vida religiosa de modo equilibrado. Todavia, precisamos organizar nosso tempo para que consigamos também ter uma saudável prática religiosa.

Há uma lenda na ora do Pai Rubens Saraceni (no Livro Lendas da Criação, editora Madras, indico a leitura) que diz que quando Olorum criou o universo tudo era estático, congelado, parado. Assim, Olorum criou Oyá-Tempo para dar movimento a todas as coisas, e o tempo começou a correr. Bem, é nossa responsabilidade entendemos que o tempo humano também está sob a tutela do tempo divino, e que precisamos aprender a lidar com esse tempo que corre em nossa vida. A cada respiração nossa o tempo está correndo, a cada pulsar do nosso coração, a cada palavra que lê nesse texto o tempo passa, e só passa porque o tempo humano está sob o controle do tempo divino, regido por mãe Logunan.

Assim, saber lidar com o tempo (necessidade urgente nos dias atuais) é, por si só, uma maneira de homenagearmos essa grande mãe orixá, a quem amamos, louvamos e agradecemos todos os dias – Mãe Logunan, a Oyá-Tempo.

Como está o seu tempo?


INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE LOGUNAN

Saudação: Olha o tempo, minha mãe!

Cor: Azul Petroleo ou Uma Vela Branca (simbolizando o dia) e uma Vela Preta (simolizando a noite)

Elemento: Cristal Fumê

Ponto de Força: Campos Abertos ou Campinas

Sincretismo: Santa Clara de Assis

Data Comemorativa: 11 de Agosto

Dia da Semana: Pode-se atriuir o mesmo dia que Oxalá, o Domingo, dia associado ao Sol.

O ARQUÉTIPO DOS FILHOS (AS) DE LOGUNAN

Aqueles que são filhos (as) de Logunan tem, por corolário lógico, as características de Logunan. As principais características que os filhos (as) de Logunan possuem são:

I. No Positivo:

Possuem forte religiosidade (tem dom oracular)
Intuitiva
Espírito meditativo
Reservada (falam pouco)
Discretas
Pensadoras
Dão valor a coisas inteligentes
Racionais
Exigentes
Guerreiras
Gostam de lugares calmos e tranquilos
 Possuem sexualidade forte
 Etc.

II. No Negativo

Possessivas
Descrentes
Desconfiadas
Rancorosas (dificuldade para perdoar)
Impacientes
Temperamentais
 Etc.

Obs. A depender da localização da orixá Logunan na coroa mediúnica (orixá de frente, ou adjunto ou ancestre) de um filho ou filha de fé, as características de Logunan poderão manifestar-se maneira diferente.

A NECESSIDADE DE UM FILHO (A) DE LOGUNAN

Os filhos (as) de Logunan sentem necessidade de algum tipo de prática religiosa, como que se sentindo incompletos quando não conseguem. Por isso, sempre é recomendável aos filhos (as) de Logunan exerçam esse lado espiritualista que já trazem em si mesmos, que é uma característica desta orixá. Os filhos de Logunan também precisam trabalhar a paciência e o perdão.

Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com

 
Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda
Enviado por Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda em 16/08/2016
Alterado em 24/07/2017

Música: Luci Rosa - No Giro de Mãe Oyá - Desconhecido

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