Oca do Cacique Beira-Mar -Templo Escola de Umbanda
"A missão não envaidece, responsabiliza" (Cacique Beira-Mar)
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A LINHA MINERAL OU DO AMOR: OXUMARÉ
 
 


 

SIGNIFICADO DO NOME OXUMARÉ
 
O nome Oxumaré significa “aquele que se desloca com a chuva”.

 
CONTEXTO AFRICANO DE OXUMARÉ
 
Oxumaré é um orixá andrógino, e sua função principal é dirigir as forças que produzem o movimento, a ação e a transformação. Oxumaré tem uma natureza dupla, e é representado na mitologia daomeana como uma cobra e um arco-íris, que significam a renovação e a substituição. Durante seis meses Oxumaré é masculino, representado por um arco-íris, tendo a incumbência de levar as águas da cachoeira para o reino de Oxalá no orum (céu). Nos outros seis meses, Oxumaré assume a forma feminina e, nessa fase, é a cobra que vem, se transformando, vez ou outra, em uma linda deusa chamada Bessém. Difícil dizer se Oxumaré é um orixá masculino ou uma orixá feminina, o máximo que podemos afirmar é que Oxumaré é uma entidade dual, que traz em si duas naturezas opostas: a masculina e a feminina. Esta dupla natureza aparece nas cores vermelha e azul que cercam o arco-íris.
 
 
A dualidade de Oxumaré faz com que ele carregue todos os opostos e antônimos básicos dentro de si: o bem e o mal, o dia e a noite, a luz e as trevas, macho e fêmea, doce e amargo, etc. Como uma cobra, morde a própria cauda, formando o símbolo ocidental do ouroboros. Nas lendas daomeanas e nagôs, é filho de Nanã e Oxalá, irmão de Omolu.
 
Oxumaré teria participado da criação do mundo, enrolando-se ao redor da Terra, reunindo a matéria e dando forma ao mundo. Teria ainda dado o movimento de rotação a Terra, aos Astros e aos Oceanos. Rastejando pelo mundo, teria desenhado os vales e os rios. Oxumaré assegura comunicação entre o mundo sobrenatural, os antepassados e os homens, e por isso se associa a ele o cordão umbilical. Oxumaré rege as chuvas e as secas, uma vez que é Ele quem leva as águas dos mares para o céu, para que a chuva possa formar-se. Oxumaré é a grande cobra colorida simbolizada também pelo arco-íris.
 
No Brasil, seus iniciados usam o brajá, um longo colar de búzios trabalhados de maneira a parecerem as escamas de uma serpente. Durante sua dança, o iaô aponta os dedos para cima e para baixo alternadamente, indicando os poderes do céu e da Terra. Em algumas regiões é cultuado como o deus da riqueza, simbolizado por uma grande cuia com moedas entre seus apetrechos de culto.
 
QUALIDADES DO ORIXÁ OXUMARÉ NO CANDOMBLÉ (NAGÔ/JÊJE)
 
Dan – Vodun conhecido e cultuado no ketu com o nome de Oxumare, é a cobra que participou da criação. É uma qualidade benéfica, ligada à chuva, à fertilidade e à abundância; gosta de ovos e de azeite de dendê. Como tipo humano, é generoso e até perdulário.
 
Vodun Dangbé – É um Oxumaré mais velho que seria o pai de Dan; governa os movimentos dos astros. Menos agitado que Dan, possui uma grande intuição e pode ser um adivinho esperto.
 
Vodun Becém – Dono do terreiro do Bogun, veste-se de branco e leva uma espada. Becém é um nobre e generoso guerreiro, um tipo ambicioso, combativo de Oxumaré, menos afectado e menos superficial que Dan. Aido Wedo, também é uma qualidade de Oxumaré conhecida no Bogun.
 
Vodun Azaunodor – É o príncipe de branco que reside no Baobá, relacionado com os antepassados; come frutas e “leva tudo de dois”.
 
Vodun Frekuen – É o lado feminino de Oxumaré, representado pela Serpente mais venenosa. O lado masculino de Oxumaré é geralmente representado pelo Arco-Íris.
 
Compartilhei acima as qualidades de Oxumarê no Candomblé apenas para efeito de conhecimento, pois, na Umbanda que praticamos, não denominamos qualidades ou diginas as diversas maneiras que Oxumarê tem de manifestar-se por meio de seus filhos, antes temos o entendimento de que Oxumarê se manifesta em campos de outros orixás. Logo, antes de nos perguntarmos qual a qualidade ou digína de sua Oxum, perguntamos: “qual o campo de atuação de seu Oxumarê”, que, tendo como base as sete linhas de Umbanda, com 14 (catorze) orixás polarizados em pares de 7 (sete) orixás, podem ser 13 (treze) campos de atuação, compreendido?
 
ALGUMAS LENDAS A RESPEITO DE OXUMARÉ
 
Como Oxumarê se Tornou Rico
 
Oxumaré era, antigamente, um adivinho (babalaô). O adivinho do rei Oni. Sua única ocupação era ir ao palácio real no "dia do segredo"; dia que dá início à semana de quatro dias dos iorubas.
 
O rei Oni não era um rei generoso. Ele dava apenas, a cada semana, uma quantia irrisória a Oxumaré que, por esta razão, vivia na miséria com a sua família. O pai de Oxumaré tinha um belo apelido. Chamavam-no "o proprietário do xale de cores brilhantes". Mas, tal como seu filho, ele não tinha poder.
 
As pessoas da cidade não o respeitavam. Oxumaré, magoado com esta triste situação, consultou Ifá. "Como tomar-se rico, respeitado, conhecido e admirado por todos?" Ifá o aconselhou a fazer oferendas. Disse-lhe que oferecesse uma faca de bronze, quatro pombos e quatro sacos de búzios da costa. No momento que Oxumaré fazia estas oferendas, o rei mandou chamá-lo. Oxumaré respondeu: "Pois não, chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia". O rei, irritado pela espera, humilhou Oxumaré, recriminou-o e negligenciou, até, a remessa de seus pagamentos habituais.
 
Entretanto, voltando à sua casa, Oxumaré recebeu um recado: Olokum, a rainha de um país vizinho, desejava consultá-lo a respeito de seu filho, que estava doente. Ele não podia manter-se de pé, caía, rolava no chão e queimava-se nas cinzas do fogareiro. Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e consultou Ifá para ela. Todas as doenças da criança foram curadas. Olokum, encantada com este resultado, recompensou Oxumaré. Ela ofereceu-lhe uma roupa azul, feita de um rico tecido. Ela deu-lhe muitas riquezas, servidores e um cavalo, com o qual Oxumaré retomou à sua casa, em grande estilo. Um escravo fazia rodopiar um guarda-sol sobre a sua cabeça e músicos cantavam seus louvores.
 
Oxumaré foi saudar o rei. O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe: "Oh! De onde vieste? De onde saíram todas estas riquezas?" Oxumaré respondeu-lhe que a rainha Olokum o havia consultado. "Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto por você!" Estimulado pela rivalidade, o rei Oni ofereceu a Oxumaré uma roupa do mais belo vermelho, acompanhada de muitos outros presentes.
 
Assim, Oxumaré tornou-se rico e respeitado. Entretanto, Oxumaré não era amigo de Chuva. Quando a Chuva reunia suas nuvens, Oxumaré agitava sua faca de bronze e a apontava em direção ao céu, como se riscasse de um lado a outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia. todos gritavam: "Oxumaré apareceu!" Oxumaré tornou-se muito célebre. Nesta época, Olodumaré, o deus supremo, aquele que estende a esteira real em casa e caminha na chuva, começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. Ele mandou chamar Oxumaré e o mal dos seus olhos foram curados. Depois disto, Olodumaré não deixou mais que Oxumaré retomasse à Terra. Desde este dia, é no céu que ele mora e só tem permissão de visitar a Terra a cada três anos. É durante este ano que as pessoas se tornam ricas e prósperas.
 
 
Oxumarê se Transforma em Cobra
 
Certa vez, Xangô viu Oxumarê passar, com todas as cores de seu traje e todo o brilho de seu ouro. Xangô conhecia a fama de Oxumarê não deixar ninguém se aproximar dele. Preparou então uma armadilha para capturar Oxumarê. Mandou uma audiência em seu palácio e, quando Oxumarê entrou na sala do trono, os soldados chamaram para a presença de Xangô e fecharam todas as jan elas e portas, aprisionando Oxumarê junto com Xangô. Oxumarê ficou desesperado e tentou fugir, mas todas as saídas estavam trancadas pelo lado de fora.
 
Quando Xangô tentava tomar Oxumarê nos braços e Oxumarê escapava, correndo de uma canto par ao outro. Não vendo como se livrar, Oxumarê pediu a Olorum e Olorum ouviu sua súplica. No momento em que Xangô imobilizava Oxumarê, Oxumarê foi transformado numa cobra, qua Xangô largou com nojo e medo.
 
A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e sinuosos. Havia uma pequena fresta enre a porta e o chão da sala e foi por ali que escapou Oxumarê. Assim livrou-se Oxumarê do assédio de Xangô. Quando Oxumarê e Xangô foram feitos orixás, Oxumarê foi encarregado de levar água da Terra para o palácio de Xangô no Orum (céu), mas Xangô não pôde nunca aproximar-se de Oxumarê.
 
OXUMARÊ NA UMBANDA SAGRADA: O TRONO MASCULINO MINERAL OU DO AMOR
 
Como a Umbanda Sagrada é a maior influência do nosso terreiro, cabe aqui esclarecer como que essa vertente de Umbanda entende Oxumarê. Pois bem. Oxumarê é o trono de Deus (divindade) que se polariza com Oxum na Coroa Planetária ou Setenário Sagrado, também chamado e Sete Linhas de Umbanda.
 
Oxumarê é o trono da renovação da vida, responsável por diluir as causas de dos desequilíbrios no campo do amor, gerando assim condições favoráveis para a renovação neste atributo divino. Oxumarê é um orixá ativo, cósmico e temporal, o que significa dizer que só entra na vida dos seres caso as ligações no campo do amor tornem-se (como já dito) desequilibradas. Oxumaré renova os sentimentos íntimos em todos os sentidos da vida: fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração (as Sete Linhas de Umbanda). Onde o amor de oxum foi superado por qualquer condição, temos a diluição de Oxumarê, seguida de posterior movimento de renovação naquele campo especifico.
 
ARQUETIPO DOS FILHOS (AS) DE OXUMARÊ
 
Os filhos (as) de Oxumarê possuem as seguintes características:
 
NO POSITIVO:
 
Em geral seu físico é de alguém belo e magro (admirado pelas mulheres, e atrai os homens, com os quais flerta sem nenhum constrangimento)
Elegante no falar, no vestir e em suas maneiras
Possui sabedoria inata
Místico de nascença, supersticioso, possuem dons oraculares
Gracioso (a)
Fala macia
Confia mais nas suas vibrações que no conselho dos outros
Tem uma capacidade incrível de renascer, de renovar sua vida
Planeja tudo com antecedência
Possui uma calma exterior própria
Comunicativos
Educados
Etc.
 
NO NEGATIVO:
 
Possessivo
Inconstante
Muito desconfiado
Volúveis
Exibicionistas
Manipuladores
Falsos
Arredios
Apáticos
Indiferentes
Etc.
 
Obs. A depender do local onde se tenha Oxumaré regendo (como Orixá de Frente, Adjuntó ou Ancestral, pode-se ter leves variações nestas características).
 
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE OXUMARÉ
 
Saudação: Arruboboí – gbogbo, significa “contínuo”.

Cor: Azul Turquesa ou as Sete Cores do Arco-Íris

Elemento: Mineral (no Candomblé, ar e água)

Ponto de Força: Próximo de uma Cachoeira

Sincretismo: São Bartolomeu

Data Comemorativa: 24 de Agosto

Dia da Semana: Pode-se ser sexta-feira (dia relacionado a Vênus e Netuno)

Instrumento: Serpente de Metal
 
A NECESSIDADE DE UM FILHO (A) DE OXUMARÉ

Um filho (a) de Oxumaré tem a necessidade de renovação e transformação contínua em todos os campos de sua vida, especialmente no sentido do Amor. Os filhos (as) de Oxumarê ainda tem a necessidade de aprender a lidar com as dualidades que existem no universo que o cercará por toda a vida.
 


Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com
Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda
Enviado por Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda em 21/11/2016
Alterado em 28/05/2017

Música: Oxumarê Umbanda - Desconhecido

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