Oca do Cacique Beira-Mar -Templo Escola de Umbanda
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Como Saber Quais São Meus Guias Espirituais?


Descobrir quais são os nossos guias e mentores espirituais tem muito a ver com descobrirmos a nós mesmos, ou seja, com o autodescobrimento, e aí reside a primeira dificuldade. A maior parte da geração atual de umbandistas aprendeu, talvez sem se dar conta, que cabe a outros definir sua própria espiritualidade, que cabe aos pais e mães espirituais, aos padrinhos e madrinhas, aos Babalorixás e as Ialorixás, etc; aprenderam que não precisam participar de nada, e isso é uma falácia.

Longe de mim querer diminuir a elevada importância dos milhares de sacerdotes e sacerdotisas que prestam tão importante trabalho de orientação e condução espiritual, até porque, eu também sou um sacerdote. Não estou dizendo que os sacerdotes e sacerdotisas não são importantes, mas que estes homens e mulheres, que merecem elevado respeito e admiração, não devem receber daqueles que desejam conhecer seus guias e mentores espirituais a total responsabilidade na realização de tal tarefa, pois aqueles que desejam saber quais seus guias e mentores espirituais devem saber que são os maiores responsáveis por sua própria espiritualidade. 

Entendo não ser adequado que o desvendar da espiritualidade (desde odus, orixás, guias, etc) dos filhos de umbanda seja totalmente dos seus pais e mães espirituais, até porque, onde entraria a autoresponsabilidade do iniciante na religião? A experiência e elevados conhecimentos dos sacerdotes são fundamentais na orientação dos iniciantes, porém não deve avocar a responsabilidade destes que estão iniciando sua caminhada na religião. Creio que a postura mais indicada quando nos defrontamos com iniciantes em busca de saber quais seus guias e mentores espirituais é orientar pelos meios disponíveis e incentivar que estes sejam participantes do processo de descobrimento de sua espiritualidade, por meio, por exemplo, de processo de desenvolvimento mediúnico, que penso ser o melhor momento para tais descobertas.

Utilizar somente oráculos (a Umbanda não tem oráculos como fundamento, mas há sacerdotes que utilizem por outras influências), ou mesmo dispor somente do aconselhamento dos guias e mentores do terreiro, ou ainda apenas do aconselhamento do próprio sacerdote, dentre outras, dissociadas de um processo de descobrimento prático e em conjunto com o iniciante, não é, em minha opinião, a melhor maneira de informar de maneira definitiva quais os guias e mentores de alguém. A participação do iniciante no processo é de extrema importância. Sei que na pratica os sacerdotes, os guias do terreiro, ou os oráculos acabam identificando quais os guias e mentores espirituais dos iniciantes, mas penso que isso não deve ser definitivo, deve ser provisório, até que, dentro de um processo conjunto com o iniciante tenhamos a confirmação última de que, de fato, aquelas forças regem aquele novo adepto.

Até porque, sabemos, muitas forças (me referindo a guias e mentores) e poderes (me referindo aos orixás) podem ser visualizadas no em torno dos médiuns iniciantes por outras razões, ou seja, podemos ler determinados guias e orixás que, no final, desempenharam importante função na vida do médium, é verdade, mas que não são aqueles que de fato regem a coroa mediúnica ou coroa espiritual daquele adepto. Por isso entendo que aquilo que é definitivo, no que tange a saber quais nossos guias e mentores, deve ser precedido por um processo conjunto de descobrimento. Iniciei este texto falando que esta é a primeira dificuldade, lembra? E é verdade.

A geração mais nova de umbandistas deseja saber tudo rapidamente, querem saber seus orixás, seus guias, seu propósito dentro da lei maior, tudo de uma hora para outra, como se a informação por si só fosse mudar a sua realidade espiritual. Informação sem comprometimento espiritual não levará a lugar nenhum, a não ser a ilusão, ao vazio, ao nada. O compromisso deve vir antes da informação, e o participar de um processo de autodescobrimento, de desvendar interno, deve preceder o processo de descobrimento e desvendar externo de sua espiritualidade. Se não está disposto a se comprometer, não esteja disposto apenas em querer saber, pois, em definitivo, sem se envolver nesse processo, tudo serão apenas leituras parciais, limitadas, supostas, pois não há o seu envolvimento, e falo agora para os novos umbandistas. Se deseja amanhã ajudar outros a se comprometerem com as suas espiritualidades, inicie se comprometendo com a sua.

Acima já está registrado então (espero que tenha percebido) a primeira maneira de saber seus guias e mentores espirituais, que é se comprometer junto ao seu sacerdote e a sua casa espiritual num processo participativo de desenvolvimento mediúnico. Cada terreiro tem o seu procedimento de desenvolvimento próprio. Sozinho, isolado, sem estar envolvido em um terreiro, dificilmente terá segurança para discernir em definitivo quais seus guias e mentores espirituais, não importa por quantos atendimentos já passou, sem o seu envolvimento e comprometimento com sua espiritualidade, nunca terá a devida certeza de quais guias lhe acompanham. Quando estiver em uma casa espiritual desenvolvendo sua mediunidade, com o tempo, seus guias e mentores começarão a se manifestar, e, pouco a pouco, irá saber quais são eles.

A segunda maneira para saber quais seus guias e mentores espirituais dependerá do método de desenvolvimento mediúnico do terreiro que escolher, pois há muitas técnicas que são utilizadas para esse descobrimento, mas isso dentro do processo de desenvolvimento mediúnico em si, e não fora, por isso que dependerá do terreiro que escolher para ser o condutor nesse processo de descoberta de sua espiritualidade. Portanto, cabe ao iniciante escolher uma casa e um sacerdote que vá lhe auxiliar nesse processo.

Por derradeiro, quero apenas frisar que a maneira que entendo ser sensata para conhecermos nossos guias e mentores espirituais, é o nosso envolvimento e comprometimento com essa descoberta. Já parou para pensar que pode ainda não saber quais são seus guias porque vive a tempos em busca de resposta em outros, e não em você mesmo, no sentido de autocomprometimento? Já parou pra pensar que quando se comprometer de maneira firme com o seu desenvolvimento mediúnico (que inclui estudo, equilíbrio e cura emocional, e praticas espirituais equilibradas e constantes, etc) os seus próprios guias lhe trarão as respostas que tem buscado em livros, oráculos, pais e mães de santo, e outros métodos (tudo isso é válido, mas dentro de um processo coparticipativo com o médium)? Já parou pra pensar que seu guia e mentor espiritual pode ter lhe direcionado até este texto para que reveja a maneira como está tratando sua espiritualidade? Pense nisso, nada é por acaso.

Descobrir quais seus guias e mentores espirituais tem muito a ver com o autodescobrimento, desenvolver a mediunidade é desenvolver a si mesmo em diversas áreas e campos, ao contrário, ficará sempre na penumbra da dúvida, do questionamento, da obscuridade.

Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com


 
Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda
Enviado por Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda em 05/05/2017
Alterado em 28/05/2017

Música: Roberta Nistra - Ogum de Ronda (Part. Moyseis Marques) - Desconhecido

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