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SOU EU OU É A ENTIDADE: COMO SABER SE ESTOU INCORPORADO?
 


Essa dúvida é muito comum entre os médiuns de incorporação que iniciam os préstimos caritativos na religião de Umbanda, nas giras e cultos da nossa religião. Sou eu ou é a entidade? Essa é a grande dúvida. Pretendo neste texto apresentar algumas reflexões sobre esse tema, não com intuito de convencer ou mesmo com intuito de esgotar o assunto; viso apenas realizar algumas pontuações na tentativa de contribuir para o esclarecimento dessa tão conhecida dúvida.

Não pretendo aqui falar sobre a mecanica de incorporação, mas apenas apresentar algumas reflexões, em especifico, sobre a dúvida que paira sobre as cabeças, especialmente, dos novos médiuns da nossa religião de Umbanda.

 
1 – A Dúvida Também Indica Que Há uma Entidade Espiritual Atuando

Note que aqueles que apresentam essa dúvida de serem eles ou suas entidades que estão, no momento da incorporação, atendendo as pessoas nos terreiros, ilês e casas espirituais utilizam a dúvida como via de mão única, ou seja, apenas para questionar se há ou não uma entidade espiritual atuando, porém, a dúvida também é uma via de mão dupla, ou seja, pode-se, além de questionar a presença de uma entidade nos atendimentos espirituais, também questionar a presença integral do médium, pois se esse médium tivesse prestando atendimento por si só, completamente dirigido por si mesmo, não haveria dúvida, haveria uma certeza de que, de fato, não há entidade alguma atuando, mas apenas o médium.
 
Todos os médiuns se conhecem o suficiente para compreender sua maneira de falar, de sentir, de se comportar, etc, e caso fossem apenas os médiuns nos atendimentos aos consulentes, e se não houvesse entidade alguma, a dúvida daria logo lugar a certeza de que, de fato, não há entidade alguma atuando, compreende? A dúvida também indica um processo de atuação mediúnica, apontando para o que é a mediunidade de incorporação: um processo de co-participação entre o médium e sua entidade espiritual. Logo, a dúvida, por si só, deveria ajudar os médiuns iniciantes (e se é médium iniciante se atente a isso) a ter certeza de que, nos momentos de atendimentos espirituais, não são apenas eles, mas sim suas entidades por meio deles quem está prestando a caridade.
 
2 – O Problema Não é o Médium Estar Presente, mas a Entidade Estar Ausente

A presença do médium no momento da incorporação e dos atendimentos caritativos no terreiro de Umbanda não implica na ausência da entidade espiritual, e não representa problemas para a incorporação. Quando falo da presença do médium me refiro ao estágio consciencial que o médium apresenta durante a incorporação por meio de seus sentidos físicos: a visão, audição, tato, olfato, paladar, e demais sentidos do corpo, e reitero que o perfeito uso dos sentidos durante a incorporação não macula ou diminui a atuação espiritual da entidade.

Se analisarmos o que é chamado de consciência e inconsciência, veremos que diz-se que o médium é consciente simplesmente porque presencia o trabalho da entidade e porque não perde seus sentidos durante o transe mediúnico, se lembrando, posteriormente, de tudo que aconteceu. E diz-se que o médium é inconsciente quando perde seus sentidos e não se lembra do que ocorreu durante o transe mediúnico. Pois bem. Fica evidente que tanto o que chamamos de consciência ou inconsciência no momento do transe mediúnico nada tem a ver com estarmos ou não presentes durante os trabalhos espirituais, mas sim com perdermos os sentidos e nos lembrarmos do que ocorreu ou não.

O que quero dizer é que tanto na consciência quanto na inconsciência sempre estaremos presentes por meio do nosso corpo físico, e não será a perda dos sentidos e as lembranças ou não do que ocorreu durante o período de trabalho espiritual que vai apontar para uma ausência da entidade espiritual, pois isso indicará apenas o nosso grau de presença/consciência durante os trabalhos espirituais, e não o grau de presença/consciência da entidade, que, acredite, está atuando em sua mediunidade.

Essa afirmação de que “se eu não perco meus sentidos e me lembro de tudo é porque não há entidade espiritual” é um grande equivoco que atormenta a mente de dos médiuns, pois não é a perca da consciência do médium que vai dizer se uma entidade atua ou não em seu campo mediúnico; a perca de sentidos e as lembranças só indicam que o médium é semiconsciente, e não que não haja entidade espiritual atuando por meio dele.
 
3- Não é a Nossa Percepção Sensorial Que Diz o Que é Real e o Que Está, De Fato, Acontecendo

Boa parte da dúvida dos médiuns iniciantes está calcada em um pressuposto que não guarda base alguma com a verdade: entendem os novos médiuns, às vezes sem perceber, que o que não é captado pela percepção sensorial não é real ou não está, de fato, acontecendo, fosse assim, mesmo os fenômenos físicos não seriam reais ou não estariam de fato acontecendo, pois também não captamos muitos eventos do mundo material. Por exemplo, não percebemos mesmo o ar que respiramos, logo o ar não existe? É óbvio que não. Não é a nossa percepção sensorial que diz o que é real e o que não é.

A nossa percepção sensorial só indica o que estamos captando e o que não estamos, e não o que está existindo e o que não está existindo; e não o que está acontecendo e o que não está acontecendo. Não podemos limitar a espiritualidade e a atuação de nossos guias e mentores pela nossa limitação. Se temos guias e mentores espirituais é porque, certamente, estamos ainda muito atrasados na própria percepção de nossa existência, o que dirá na percepção da existência e atuação das entidades.
 
4 – Se Não é Médium de Audiência/Clariaudiência ou de Vidência/Clarividência Não Irá Ouvir e Ver as Entidades

Há quem pense que a mediunidade de incorporação vem acompanhada de todas as demais, e isso é um verdadeiro absurdo. Basta um estudo superficial acerca dos tipos de mediunidades para constatarmos que a mediunidade de incorporação é apenas um dos tipos de mediunidade, pois existem dezenas de tipos. De fato, a mediunidade de incorporação é a mais comum na Umbanda, mas não é a única.

Quem incorpora acha que tem que ver e ouvir a entidade, acontece que para ver e ouvir as entidades são necessários outros tipos de mediunidade, como a de audiência ou clariaudiência e a vidência ou a clarividência, e há aqueles que mesmo possuindo essas faculdades mediúnicas não ouvem e veem as entidades, pois há desdobramentos dentro destes tipos, de modo que nem sempre se ouvem e se vê, necessariamente, as entidades, mas sim outros sons e se vê outras realidades.

A mediunidade de incorporação não traz consigo um “combo” de outras mediunidades, nada disso. Se não tem mediunidade de audiência ou clariaudiência ou de vidência ou de clarividência não irá ouvir e ver, respectivamente, as suas entidades quando estas incorporarem, e é muito provável que nem perceba a entidade atuando em seu campo mediúnico. Quer dizer então que para ser real precisamos que os fenômenos e manifestações mediúnicas aconteçam exatamente como achamos que devem ocorrer? Quer dizer que temos de ser dotados de vários tipos de mediunidades para captarmos toda a realidade espiritual a fim de que possamos acreditar nos eventos espirituais? Ora, sejamos francos, se fossemos tão perfeitos assim e evoluídos mediunicamente, provavelmente nem estaríamos encarnados neste plano. Encaremos o fato de que somos limitados, inclusive mediunicamente.
 
5- As Entidades não Precisam Responder Todas as Perguntas do Consulente para que Estejam, de fato, Trabalhando

Quem disse que as entidades, mentores e guias espirituais devem responder todas as perguntas dos consulentes para estarem, de fato, trabalhando? Muitas pessoas dizem: “Pai Jader, se as entidades estivessem realmente incorporadas não deveriam responder todos os questionamentos dos consulentes? Por que, as vezes, quando estou incorporado e o consulente faz determinadas perguntas as respostas das entidades não me vem a mente?” A resposta a primeira pergunta é não, as entidades não precisam responder nada caso não queiram, e se responderem, responderão o que lhes for permitido e o que entenderem que será contributivo para a vida dos consulentes. A resposta para a segunda pergunta é que muitas vezes as respostas não vêm porque o silencio é, em si mesmo, a própria resposta. Note que muitas das respostas que não lhe vêm são baseadas em perguntas mesquinhas, egoísticas e extremamente materialistas. Ora, a Umbanda é uma religião que visa o aperfeiçoamento humano e espiritual, não é um balcão de negócios, logo, muitos guias, mentores e entidades espirituais sequer perdem tempo respondendo o que não terá utilidade espiritual alguma para a vida dos consulentes. O silencio é a própria reposta, e não há razão para acreditar que isso é uma constatação da ausência de uma entidade, é sim sinônimo da nossa própria limitação em compreender a espiritualidade e seus reais objetivos. Embora as entidades ajudem sim os consulentes em suas vidas materiais, esse não é o objetivo da nossa religião, lembre-se disso. O consulente tem de ter as respostas que precisa, e não as que ele quer.
 
6-  Como Saber que Estou Realmente Incorporado?

Apontarei abaixo alguns indicativos que levarão o médium iniciante a certeza, a seu juízo, de que, de fato, há uma entidade espiritual atuando mediunicamente em sua estrutura espiritual.

Em primeiro lugar, um guia, um mentor e entidade espiritual de Umbanda irá respeitar os fundamentos da religião, dentre os quais o principal é a caridade, logo, um guia de Umbanda irá trabalhar sob esse fundamento, sem exploração do próximo.

Em segundo lugar, as palavras e o comportamento das entidades de Umbanda estarão alinhados a boa conduta, pois não há razão para destratar os consulentes (óbvio que aqui estou afastando o fato de que seja o médium manifestando seu emocional desequilibrado e mau trabalhado, estou focando unicamente nas entidades). Não estou dizendo que os guias têm que ter “etiqueta” no trato com os demais, que um Exu, por exemplo, não pode usar de uma linguagem mais densa, ou que um Malandro não possa usar sua linguagem local (gírias), ou que um Baiano não possa usar seu regionalismo, nada disso, tudo isso acontece sim, e é normal. Estou falando de ofensas, xingamentos, destratos gratuitos e com único intuito de prejudicar o semelhante moralmente.

Em terceiro lugar, os ensinamentos, conselhos e orientação das entidades aos consulentes serão bons ensinamentos, e se aplicados pelo consulente, produzirão efeito. Óbvio que grifei que “se aplicados pelo consulente”, pois não há como uma orientação, conselho e ensinamento produzir efeito se não for aplicado verdadeiramente. E muitos dizem: “eu apliquei”, quando na verdade nada fizeram, e a responsabilidade é do consulente neste ponto, e isso não significa que a entidade não é de luz ou não está atuando.
 
Em quarto lugar, a maneira mais importante para confiar que está incorporado é tendo fé em Deus, nos seus Orixás e nas suas Entidades, pois a religião, inclusive a Umbanda, não é uma ciência exata, onde lidaremos com formulas, números, prospectos irrefutáveis, sempre haverá uma variável: O SER HUMANO. De nada adiante buscar entender, compreender e saber como a mecânica de incorporação acontece se, ao encontrar suas respostas, irá retornar ao estágio de dúvida, se não crer na sua espiritualidade. Pode ser altamente racional e mesmo assim ter fé, eu, por exemplo, sou altamente racional, Bacharel em Teologia, Pós-Graduado em Filosofia, pesquisador das áreas humanas, especialmente a ciências sociais, etc; note que já há em meu “currículo” alguns indícios de que sou extremamente racional, o que é verdade, mas tenho, igualmente, uma firme confiança na minha espiritualidade, e aconselho que também tenha na sua.

Quem mais pode lhe dar paz nessa questão é O TEMPO E A MANEIRA COMO IRÁ DECIDIR CRER AO LONGO DESSE TEMPO, e eu aconselho que sim, busque compreender, e talvez veio até esse texto tentando compreender um pouco mais, e isso é ótimo; mas após compreender, após encontrar respostas, entendimento, exercite sua fé, ao contrário de nada adiantará sua compreensão.

Espero sinceramente ter colarado com seu crescimento, aclarando duvidas e prestando esclarecimentos.

Um Saravá Fraterno!

Pai Jader de Xangô



Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda
Enviado por Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda em 09/06/2017
Alterado em 09/06/2017

Música: Eu e Deus somos um. - Desconhecido

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