Oca do Cacique Beira-Mar -Templo Escola de Umbanda
"A missão não envaidece, responsabiliza" (Cacique Beira-Mar)
CapaCapa TextosTextos ÁudiosÁudios PerfilPerfil Livro de VisitasLivro de Visitas LinksLinks
Textos

 
LINHA TELURICA OU DA EVOLUÇÃO: NANÃ


 
SIGNIFICADO DO NOME NANÃ
 
O nome nanã não tem uma tradução literal, e se origina dos vocábulos néné/nana.
 
CONTEXTO AFRICANO 
 
Nanã-Burubu (iku, morte) é um orixá feminino de origem daomeana que foi incorporado há séculos pela religião nagô quando este povo conquistou Daomé, assimilando sua cultura e incorporando alguns dos orixás dominados por sua mitologia já estabelecida. Ela tem o mesmo posto hierárquico de Oxalá ou até mesmo de Olorum.

Em Daomé, ainda é apresentado como orixá masculino ou assexuado, pai ou mãe de todos os seres vivos. Nanã é sempre associada a maternidade. É a divindade mais velha da água que, associada à terra, teria o poder de conceder a vida e forma aos seres humanos. Seu elemento é a lama do fundo dos rios.

Seu elemento é a lama do fundo dos rios. Nanã é a deusa dos pântanos, da morte (associada à terra, para onde somos levados após a morte) e da transcendência. É uma figura muito controvertida no panteão africano: ora perigosa e vingativa, ora desprovida de seus maiores poderes, relegada a um segundo plano amargo e sofrido.

Os adeptos dançam devotando-lhe muito respeito. Seus movimentos lembram o andar de uma senhora idosa, com passos lentos, o corpo curvado para a frente e apoiado no objeto ritualístico, o ibiri. É considerada a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroko, Obaluaiê e Oxumaré.

Símbolo dos elementos terra e água, é a mãe ancestral, que guarda o mistério da vida. Por isso, suas roupas têm listras roxas intercaladas de branco, simbolizando a função de “geradora de vida”. Mais do que terra e água, Nanã é a lama, o barro gerador.
 
QUALIDADES OU CAMPO DE ATUAÇÃO  DE NANÃ

No culto de nação e nos candomblés, é costume relacionar as qualidades ou caminhos de Nanã como sendo (em síntese e de modo geral):

Nanã Abenegi: Dessa Nanã nasceu o Ibá Odu, que é a cabaça que traz Oxumarê, Oxossi Olodé, Oya e Yemanjá.

Nanã Adjaoci ou Ajàosi: É a guerreira e agressiva que veio de Ifé, às vezes confundida com Obá. Mora nas águas doces e veste-se de azul.

Nanã Ajapá ou Dejapá: É a guardiã que mata, vive no fundo dos pântanos, é um Orixá bastante temido, ligado a lama, a morte, e a terra. Veio de Ajapá. Está ligada aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira; cuida dos velhos e dos doentes, toma conta dos moribundos. Nela predomina a razão.

Nanã Asainan ou Asenàn: Provisoriamente sem dados inerentes a este caminho do Orixá Nanã.

Nanã Buruku ou Búkùú: Também é chamada Olú aiye (senhora da terra), ou Oló wo (senhora do dinheiro) ou ainda Olusegbe. Este Orixá veio de Abomey; ligado à água doce dos pântanos, usa um ibiri azul.

Nanã Iyabahin ou Lànbáiyn: Provisoriamente sem dados inerentes a este caminho do Orixá Nanã.

Nanã Obaia ou Obáíyá: É ligada a água e a lama. Mora nos pântanos; usa contas cristal vestes lilás e veio do país Baribae.

Nanã Omilaré: É a mais velha, acredita-se ser a verdadeira esposa de Oxalá. Associada aos pântanos profundos e ao fogo. É a dona do universo, a verdadeira mãe de Omolu Intoto. Veste musgo e cristal.

Nanã Savè: Veste-se de azul e branco, e usa uma coroa de búzios.

Nanã Ybain: É a mais temida. Orixá da varíola. Usa cor vermelha, é a principal, come direto na lagoa, dando origem a outros caminhos. Para chamá-la, a ekedi tem que ir batendo com seus otás para fazê-la pegar suas filhas.

Nanã Oporá: Veio de Ketu, coberta de òsun vermelho. É a mãe de Obaluaiyê, ligada a terra, temida, agressiva e irascível.

Nanã Xalá: Muito ligada ao Branco e a Oxalá.
 
Na Umbanda Sagrada, a que mais nos influencia, não denominados de qualidades os diversos fundamentos e forma de culto de uma mesma  orixá, mas chamamos de campos de atuação, que, considerando as Sete Linhas de Umbanda, com dois orixás polarizados em cada uma, podem ser treze campo de atuação, ou seja, Nanã neste caso, poderia se entrecruzar com os orixás Oxalá, Oyá-Tempo, Oxum, Oxumaré, Oxóssi, Obá, Xangô, Oro Iná, Ogum, Iansã, Obaluaiê, Yemanjá e Omolu (Omolu é entendido na Umbanda Sagrada como sendo um orixá diferente de Obaluaiê).
 
ALGUMAS LENDAS  SOBRE NANÃ
 
PRIMEIRA LENDA

Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas, vinda de muito longe e há muito tempo. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda, sempre, à frente dos outros Imalés. Eles vão, um dia, a uma reunião. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. Eles discutem sobre seus poderes. Eles falam muito sobre obatalá, aquele que criou os seres humanos. Eles falam sobre Orunmilá, o senhor do destino dos homens. Eles falam sobre Exú: "Ah! É um importante mensageiro!" Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. Eles dizem: "É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. Declaramos que é o mais importante entre nós!"

Nanã Buruku contesta então: "Não digam isto. Que importância tem, então, os trabalhos que ele realiza?" Os demais orixás respondem: "É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. São eles que utilizamos para esquartejar." Nanã conclui que não renderá homenagem a Ogum. "Por que não haverá um outro Imalé mais importante?" Ogum diz: "Ah! Ah! Considerando que todos os outros Imalés me rendem homenagem, me parece justo, Nanã, que você também o faça."

Nanã responde que não reconhece sua superioridade. Ambos discutem assim por muito tempo. Ogum perguntando: "Você pretende que eu não seja indispensável?" Nanã garantindo que isto ela podia afirmar dez vezes. Ogum diz então: "Muito bem! Você vai saber que eu sou indispensável para todas as coisas." Nanã, por sua vez, declara que, a partir daquele dia, ela não utilizará absolutamente nada fabricado por Ogum e poderá, ainda assim, tudo realizar. Ogum questiona: "Como você fará? Você não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho, chumbo, ferro, cobre. Eu os possuo todos." Os filhos de Nanã eram caçadores. Para matar um animal, eles passaram a se servir de um pedaço de pau, afiado em forma de faca, para o esquartejar. Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. Não pode ser utilizada a faca de metal para cortar sua carne, por causa da disputa que, desde aquele dia, opôs Ogum a Nanã.

SEGUNDA LENDA

Nanã era considerada como a grande justiceira. Qualquer problema que ocorria em seu reino, os habitantes a procuravam para ser a juíza das causas. No entanto, Nanã era conhecida como aquela que sempre castigava mais os homens, perdoando as mulheres.

Nanã possuía um jardim em seu palácio onde havia um quarto para o eguns, que eram comandados por ela. Se alguma mulher reclamava do marido, Nanã mandava prendê-lo chamando os eguns para assustá-lo, libertando o faltoso em seguida.

Oxalufã sabedor das atitudes da velha Nanã resolveu visitá-la. Chegou a seu palácio faminto e pediu a Nanã que lhe preparasse um suco com igbins. Oxalufã muito sabido fez Nanã beber dele, acalmando-a e a cada dia que passava ela gostava mais do velho rei.

Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos do velho, até que um dia levou-o a seu jardim secreto, mostrando-lhe como controlava os eguns. Na ausência de Nanã, Oxalufã vestiu-se de mulher e foi ter com os eguns, chamando-os exatamente como Nanã fazia, ordenando-lhes que deveriam obedecer a partir dali somente ao homem que vivia na casa da rainha. Em seu retorno Nanã tomou conhecimento do fato ficando zangada com o velho rei. Foi então que rogou uma praga no velho rei que partir dali nunca mais usaria vestes masculinas. Por isso até hoje Oxalufã veste-se com saia cumprida e cobre o rosto como as deusas rainhas.

TERCEIRA LENDA

Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos orixás povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é.
 
NANÃ NA UMBANDA SAGRADA: O TRONO FEMININO TELÚRICO OU DA EVOLUÇÃO
 
Na Umbanda Sagrada, a que mais no influencia, Nanã se polariza com Obaluaiê na Linha da Telúrica ou da Evolução, que é a Sexta Linha de Umbanda. Nanã é aquela que desfaz os excessos e decanta os vícios, e é evoca para este fim. Dizemos que Nanã possui uma qualidade dual, ou seja, que é maleável e decantadora. É maleável porque confere meleabilidade ao que está paralisado e petrificado ao tempo em que vai decantando as negatividades que envolvem o ser.

A partir da atuação de Nanã os seres que são maleabilizados e decantados por ela ganham nova forma em seu “barro” divino, em sua “lama” modeladora, e é então que Obaluaiê retoma o direcionamento do ser para auxiliado no processo evolutivo, ajudando os envolvidos nesse processo a se transmutarem e prosseguirem no caminho do aperfeiçoamento espiritual.
 
Nanã também atua sobre o espirito que vai reencarnar, decantando seus sentimentos, seus conceitos, sua negatividade, diluindo todos os acúmulos energéticos que tendem a prejudicar o espirito em sua nova vida; Nanã faz com que o espirito que vai reencarnar adormeça em sua memória, e por isso um novo espirito encarnado não tem recordações das encarnações anteriores. Esta é a razão pela qual Nanã é também associada à senilidade, velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou.
 
Na linha da vida voltamos e enxergar a atuação de Nanã sob o aspecto da senilidade, que está no estágio feminino da menopausa. Na linha da vida temos Oxum cuidando da sexualidade feminina, Iemanjá cuidando da maternidade, e Nanã, no fechar desse ciclo, cuidando do recolhimento energético que ocorre na menopausa.
 
Nanã é uma orixá cósmica, ativa e absorvedora, muito evocada (como todo orixá cósmico) para decantar vícios diversos, para absorver acúmulos energéticos densos e negativos, para decantar processos emocionais turbulentos e perturbadores, para afastar eguns, para desfazer magias densas e negativas, dentre outras.
 
ARQUETIPO DOS FILHOS (AS) DE NANÃ
 
No Positivo:

Calmos
Recatados
Instrospectivos
Possuem grande compaixão
São cuidadosos
Bondosos
Carinhosos
Possuem o dom da cura
Independentes
Decididos
Gostam de tranquilidade
Tímidos
Tem excelente memória
São prestativos
Humildes
Habilidosos nos trabalhos manuais e trato com animais
Gostam de ficar sozinhos
Etc.
 
No Negativo:
 
Rabugentos
Reclamões
Chorões
Exageradamente Criticos
Instáveis emocionalmente
Supersensíveis
Dados a autopiedade e vitimismo
Pessimistas
Podem ter ideias suicidas
Facilidade para engordar (vivem lutando contra a balança)
Etc.
 
Obs. A depender da localização de Nanã na coroa mediúnica do médium (de frente, adjunto/auxiliar ou ancestre) as qualidades deste orixá podem sofrer algumas variações.
 
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE NANÃ
 
Saudação: Saluba, Nanã! (significa: “salve, dona do pote da Terra”
 
Cor: Lilás (mais comum na Umbanda Sagrada) ou branco rajado de azul
 
Elemento: Terra e Água
 
Ponto de Força: Pântanos e Lagos
 
Sincretismo: Sant'Ana, avó de Jesus, mãe de Maria
 
Data Comemorativa: 26/07 (em nossa Casa)
 
Dia da Semana: Sábado
 
Instrumento: Ibiri
 
 
A NECESSIDADE DE UM (A) FILHO (A) DE NANÃ
 
Sair da posição de vítima e tomar a rédea da vida. Se livrarem do passado que não mais lhe serve e ajuda. Precisam trabalhar a autoestima e a autoconfiança. Cuidar de si mesmos, pois com sua grande compaixão cuidam de todos mas esquecem de si.
 
Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com
 

 
 
 
Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda
Enviado por Oca do Cacique Beira Mar Templo Escola de Umbanda em 24/07/2017
Alterado em 24/07/2017

Música: Nanã - Desconhecido

Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

"Deus não só faz  Justiça, Deus é a Própria Justiça". (Baiano Zé do Coco)





"A melhor firmeza é a do coração". (Caboclo Beira Mar)





"Quando a vida está ruim, o Rosário é um simbolo que nos indica como buscar ajuda" (Pai Antonio de Angola).





"Quem vive com Ogum, Ogum não abandona nem após morte". (Marinheiro Martim Pescador).






"Não são os encarnados, filhos de santo, falhos, pequenos, errantes por natureza que dirão se uma entidade é ou não de luz, mas a própria entidade com suas obras de caridade." (Baiano Zé do Coco)